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AmCham Rio debate perspectivas na economia e na política pós Lava Jato

03/10/2017 em NOTÍCIAS
Especialistas acreditam que agenda anticorrupção, econômica e reformas na política, saúde e previdência estarão na pauta de 2018
Da esquerda para direita: Eduardo Gussem, Fabio Medina Osório e Ricardo Sennes
Três anos após o início da maior investigação de corrupção e lavagem de dinheiro do Brasil, o clima no país é de incerteza em relação à política e à economia. As expectativas para o ano que vem e os desafios a serem enfrentados pelos próximos líderes foram discutidos no debate “Reflexos da Operação Lava Jato na economia e na política para 2018” O evento, realizado pela AmCham Rio, aconteceu na última terça-feira, 27 de setembro, no Centro de Convenções Bolsa do Rio e foi patrocinado pelo 15º Ofício de Notas do Rio de Janeiro.

Eduardo Gussem, procurador-geral de Justiça do Estado do Rio de Janeiro; Fabio Medina Osório, presidente-executivo do Instituto Internacional de Estudos de Direito do Estado (IIEDE); Fernanda Leitão, diretora da AmCham Rio; Ricardo Sennes, cientista político e sócio da Prospectiva Consultoria e Robson Barreto, diretor da AmCham Rio, participaram do evento.

Para Fabio Medina a corrupção gera uma instabilidade muito grande e insegurança jurídica, além de afastar o investidor. O presidente-executivo do IIEDE afirmou que não há agenda econômica possível sem uma agenda anticorrupção muito consistente. “O modelo de negócios global é o modelo anticorrupção. Os EUA, desde a década de 70, vem impondo aos seus grandes parceiros comerciais esse modelo, que se espalhou e se enraizou em todo o mundo. E o Brasil, hoje, caminha, sem risco de retrocesso, para ele”.

Medina afirmou que a Operação Lava Jato não vai afastar o investidor, e sim exigir ajustes das instituições fiscalizadoras para que não atuem sob o viés do corporativismo, ou de forma arbitrária. Para ele, as instituições precisam se reciclar e a operação vêm proporcionando novos modelos de atuação. “Nós estamos vivendo esse novo parâmetro. A Lava-Jato está proporcionando, portanto, esse cenário ao nosso governo, e isso deve se repetir para a agenda de 2018. A ética agora passa a ser um critério inarredável para o desenvolvimento econômico, porque sem a agenda anticorrupção não haverá prosperidade econômica”.

Para 2018, o especialista acredita que o debate deva girar em torno da agenda anticorrupção e da agenda econômica. Segundo ele, essas pautas serão os dois pilares estruturantes, em conjunto com a necessidade de se debater o papel de protagonismo das instituições fiscalizadoras. “Quais são essas instituições? São as instituições de estado que devem trilhar um caminho de maturidade, para desempenhar um papel cada vez mais consciente na sociedade brasileira. Aquelas que buscam um status mais semelhante ao do ministério público, ao do judiciário, as autoridades administrativas independentes”. Para ele, as instituições devem cumprir um papel que proporcione maior segurança jurídica à sociedade brasileira, sem uma grande interferência nas políticas públicas, mantendo coerência e compromisso com as pautas que realmente interessam ao Brasil.

Na opinião de Ricardo Sennes, a Lava-Jato é uma consequência de um processo que o país vem passando, a partir de dois marcos na história recente: a constituição de 1988 e a estabilização macroeconômica de 1994. “A Lava Jato não é, no meu modo de ver, o começo de alguma coisa, ela é parte do processo de montagem de um novo Brasil, que começou com a nova constituição e com a estabilização de 94”, afirmou. Para ele, a Lava Jato é o fortalecimento das instituições de controle com um enorme apoio social.

Segundo Sennes, nos últimos 25 anos, há um conjunto enorme de notícias positivas em relação ao Brasil, tendo em vista que é um país de 205 milhões de habitantes e profundamente desigual. “Se você comparar o Brasil com qualquer outro país em desenvolvimento, com essas características, você vai ver que o País, certamente perde do ponto de vista do crescimento de PIB, mas em outras dimensões, tão fundamentais quanto, como: a estruturação de uma sociedade democrática e plural, constituições que valem, um processo decisório, e liberdade de imprensa e empresarial, o Brasil vem construindo nesses últimos 25 anos um país incrivelmente positivo, por mais paradoxal que pareça” ressaltou.

O surgimento de uma nova classe média também foi destacado pelo cientista político que apontou dois desdobramentos: mudanças nos cenários político e econômico brasileiro. “Essa classe média tem outra visão sobre o processo político, hoje a mobilização social no Brasil vem da classe média, isso muda a agenda política do País. A classe média apoia a Lava Jato”. Sennes acredita que política educacional, de saúde e de previdência serão as pautas da agenda para o próximo ano.

Eduardo Gussem ressaltou a importância de aliar a tecnologia a um trabalho em conjunto para conferir mais dinamismo e eficiência às estruturas de poder público. “Não é algo que dependa de um único ator, um único protagonista. Não tem herói nesse processo. Ou nós unimos forças, ou nós vamos realmente deixar para os nossos filhos um mundo péssimo, de triste realidade”.

O procurador citou a plataforma digital desenvolvida pelo Ministério Público, a partir de 2015, que une mecanismos de georreferenciamento, estatística e informação, capaz de possibilitar à entidade que contribua ativamente para o ambiente de negócios e atue preventivamente. “É um panorama muito maior e uma atuação muito mais preventiva, e é isso que nós precisamos. É nesse sentido que o Ministério Público pode, inclusive, colaborar com o ambiente de negócios, identificando onde estão as carências”, afirmou.

Gussem avaliou a Lava Jato e a necessidade das instituições em buscar uma ação mais resolutiva, preventiva e menos demandista. “Nós deixamos que acontecesse. Tínhamos que atuar preventivamente, resolutamente, e o fizemos de uma forma demandista. Deixamos que tudo acontecesse de uma forma livre”, finalizou.

Confira as fotos do evento aqui: http://bit.ly/lavajatoevento
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