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“Continuamos a patinar, enquanto países vizinhos avançam”

13/12/2017 em BRAZILIAN BUSINESS
Presidente da Embratur defende transformação da autarquia em serviço social autônomo para alavancar turismo internacional
Regina Eleutério
comunicacao@amchamrio.com

Dono de imenso potencial turístico, o Brasil está longe dos principais destinos internacionais. No ano em que sediou os Jogos Olímpicos, atraiu apenas 6,6 milhões de turistas estrangeiros, não muito distante dos 5,7 milhões que visitaram a Argentina em 2015. O presidente da Embratur, Vinícius Lummertz, não tem dúvida em apontar a falta de recursos como o maior desafio para a divulgação no exterior. “Em 2016, o valor [do orçamento] não passou de 20% do total destinado há sete anos”, diz, ressaltando que o País está na contramão dos vizinhos, que investem cada vez mais em promoção.

A solução, segundo ele, é transformar a autarquia em serviço social autônomo, o que permitirá parcerias com a iniciativa privada. A proposta está em análise no Congresso Nacional. Lummertz afirma que a meta da nova Embratur, até 2022, é atrair, anualmente, 12 milhões de turistas estrangeiros, que deverão injetar US$ 19 bilhões na economia brasileira. Outra aposta, em âmbito estadual, é o calendário Rio de Janeiro a Janeiro, com grandes eventos ao longo do ano e potencial para gerar R$ 6 bilhões na economia em 2018.

Brazilian Business: O Brasil recebeu 6,6 milhões de turistas em 2016, ano em que o Rio de Janeiro sediou a Olimpíada. Apesar do imenso potencial turístico, o País ainda está longe dos principais destinos mundiais – como a França, com 84,5 milhões de visitantes em 2015 – e bem próximo da Argentina, que recebeu 5,7 milhões de turistas em 2015. O que falta para o Brasil melhorar a posição no ranking mundial? Quais os maiores desafios?

Vinícius Lummertz: Com a missão de promover internacionalmente a imagem do Brasil, a Embratur tem uma única fonte de recursos, o Orçamento da União, que vem sofrendo cortes e contingenciamentos. Em 2016, o valor não passou de 20% do total que era destinado há sete anos. Enquanto países vizinhos gastam cada vez mais em promoção internacional e modernizam as estruturas das instituições, atuamos na contramão dessa história. A Argentina investiu, ano passado, US$ 36 milhões; a Colômbia, cerca de US$ 48 milhões; e o México, mais de US$ 400 milhões. Todos apresentam fluxos turísticos internacionais sólidos e crescentes.
Em 2016, sobraram menos de US$ 17 milhões para a Embratur aplicar em promoção internacional (campanhas de mídia, feiras, press trips). Com isso, continuamos a patinar na faixa de 6,6 milhões de turistas internacionais anuais, enquanto os países vizinhos avançam. Uma solução está prestes a ser analisada pelo Congresso Nacional, o Projeto de Lei no 7.425/2017, que propõe a transformação da Embratur em serviço social autônomo. Como autarquia, não há possibilidade, por exemplo, de contratar pessoal qualificado no exterior, nem firmar convênios ou parcerias com a iniciativa privada. Os parlamentares estão sensibilizados sobre a importância dessa mudança, que transforma a autarquia em serviço social autônomo. O nome da instituição passaria a ser Agência Brasileira de Promoção do Turismo.

BB: Na sua avaliação, qual o peso que o turismo pode vir a ter na economia brasileira? E no Rio de Janeiro?

VL: Pleito antigo do setor turístico, a nova Embratur tem como meta, até 2022, praticamente dobrar o fluxo turístico para 12 milhões de turistas estrangeiros anuais, que deverão injetar US$ 19 bilhões na economia brasileira. Já o calendário Rio de Janeiro a Janeiro, com realização de grandes eventos durante todo o ano, pode gerar R$ 6 bilhões na economia do Estado em 2018.

BB: Qual o impacto que a implantação do visto eletrônico terá para o turismo no Brasil? Está prevista uma campanha de divulgação nos Estados Unidos e em alguns países (Canadá, Austrália e Japão) cujos cidadãos poderão obter o visto on-line de forma bem mais rápida?

VL: No dia 17 de novembro, a Embratur e o Ministério do Turismo estiveram na Austrália para anunciar a medida, que entrará em vigor até o fim deste ano. A projeção da Organização Mundial do Turismo é de que o visto eletrônico aumentará em até 25% ao ano o fluxo de visitantes, injetando R$ 1,4 bilhão na economia brasileira. Adotada nos Jogos Olímpicos e Paralímpicos Rio 2016, a flexibilização de vistos beneficiou 74% dos 163 mil turistas da Austrália, do Canadá, dos EUA e do Japão, que deixaram mais de US$ 167 milhões na economia. Mais de 85% desses visitantes disseram que a manutenção do benefício facilitaria o retorno ao País.

BB: O Governo Federal apoia o movimento Rio de Janeiro a Janeiro. Qual a expectativa em relação às ações previstas? O que pode ser feito para incrementar a atração de congressos, feiras e exposições para o Rio? O incentivo fiscal é uma possibilidade?

VL: Turismo vive de novidades. E o que há de mais moderno para a promoção do Rio é o calendário. Dos R$ 200 milhões que a União se comprometeu a investir na programação do Rio de Janeiro a Janeiro até o fim de 2018, R$ 50 milhões serão em propaganda, a cargo do Ministério do Turismo, dentro do Brasil, e da Embratur, no exterior. Os outros R$ 150 milhões serão em patrocínio de eventos por estatais e incentivos fiscais.

BB: Mesmo após o Rio sediar jogos da Copa e a Olimpíada, a rede hoteleira vive uma crise, com baixas taxas de ocupação. A que atribuir essa queda? Estão previstas ações para aumentar a divulgação do Rio no exterior?

VL: O Rio deverá ter grande destaque nas ações da Embratur e do Ministério do Turismo nos próximos anos. Já foi contemplado com o programa Mais Rio Mais Brasil, uma portaria da Embratur, dentro do programa Brasil Mais Turismo, criado, este ano, pelo Ministério do Turismo. A cidade terá prioridade nas estratégias de promoção e apoio à comercialização da Embratur, de 2018 a 2022.Também será garantida a presença do Rio – Estado e município – nas feiras internacionais de que a Embratur participar, por meio de um posto de trabalho nos estandes do Brasil/Embratur, sem pagamento de inscrições.

BB: Qual o impacto da violência no potencial turístico do Rio? Grandes metrópoles europeias e americanas também sofrem com a insegurança, mas o turismo continua sendo uma fonte importante de receita.

VL: As cidades brasileiras são seguras para o turismo. O Brasil viveu recentemente um ciclo de grandes eventos, e a eficiência da integração da segurança pública foi testada e aprovada. Em agosto, fizemos uma pesquisa com mil turistas no Rio: 95% pretendem voltar e 92% recomendariam a cidade. Podemos afirmar que a experiência turística na capital fluminense é extremamente satisfatória, assim como nas demais cidades preferidas por turistas internacionais. Não há levantamento oficial sobre violência específica contra estrangeiros. Os casos são investigados individualmente e analisados em conjunto por forças de segurança local, Itamaraty e Governo Federal. De acordo com o Euromonitor, instituto de inteligência de mercado, as cidades brasileiras estão na média dos demais destinos da América Latina quando se analisa o item "percepção de segurança". A revista Condé Nast Traveler, dirigida ao turismo de alto padrão, elegeu o Brasil o país mais bonito do mundo. O canal de notícias CNN escolheu o povo brasileiro como o mais cool do planeta. A respeitada Wanderlust, publicação inglesa especializada em ecoturismo, fez uma enquete com celebridades, e o chef Michel Roux Jr., apresentador da rede televisiva BBC, foi categórico: destaque na gastronomia é o Brasil.

BB: Segundo dados do Ministério do Turismo, a Argentina é o país que mais envia turistas ao Brasil (2,1 milhões no ano passado). Os EUA estão em segundo lugar, com 600 mil visitantes. O que pode ser feito para melhorar a promoção do Rio nos EUA? É possível pensar em ações integradas de órgãos nacionais, estaduais e municipais?

VL: A Embratur participa, todos os anos, de uma das principais feiras de turismo do mundo: a Imex America. Atrair grandes grupos de turistas americanos ficará mais fácil com o visto eletrônico, já em janeiro. Além disso, o novo calendário anual de eventos no Rio e o potencial brasileiro para sediar grandes encontros e eventos multiculturais foram destaques no estande brasileiro na Imex, em outubro deste ano. Mostramos aos organizadores e compradores de grandes eventos internacionais que estamos preparados, receptivos, com infraestrutura e rompendo barreiras, assegurando que o turismo está cada vez mais na agenda política e econômica do Brasil. Temos uma vantagem competitiva grande, em comparação com outros destinos, por conta da infraestrutura moderna já instalada, legado dos megaeventos.

Entrevista concedida à revista Brazilian Business. Veja o conteúdo completo desta edição: https://issuu.com/amchamrio/docs/bb302
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