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Cidade sustentável e economicamente fortalecida

24/01/2019 em Notícias
Como a gestão responsável dos recursos naturais pode trazer valor econômico ao Rio de Janeiro e o resgate do seu protagonismo em sustentabilidade
Imagem: Ricardo Gomes
O Rio de Janeiro é por sua natureza um ícone de sustentabilidade. Em 1861, D. Pedro II comandou o primeiro grande projeto de reflorestamento do Brasil, ordenando a desapropriação de fazendas de café que deram origem ao Parque Nacional da Tijuca e às Paineiras.

Aqui também se deu a maior conferência da história para o meio ambiente, a Eco-92 e, vinte anos depois, a Rio+20, e a partir delas desencadearam-se inúmeras discussões sobre desenvolvimento sustentável, capazes de nortear os países que desejavam alcançar uma economia verde. A expectativa é de que a 25ª Sessão da Conferência das Partes da UNFCCC (COP 25), em 2019, aconteça aqui também e gere bons frutos.

Empenhado em combater a mudança climática, o Rio de Janeiro aderiu ao C40 – Grandes Cidades para Liderança do Clima – e foi uma das primeiras em âmbito mundial a fixar metas concretas e ousadas para redução das emissões de gases do efeito estufa em 20% até 2020. Estes e outros registros marcam os esforços do Rio de Janeiro para encontrar o caminho da sustentabilidade. Mas o patrimônio natural carioca só vai gerar valor e riquezas para a cidade quando houver uma profunda mudança de paradigma, na qual governo, sociedade e empresas incorporem parâmetros sustentáveis de forma sistêmica e transversal, defendem os especialistas.
“A palavra-chave para uma sociedade sustentável é cooperação. Precisamos de um modelo no qual todos tenham responsabilidades a cumprir se desejarem um País com melhor qualidade de vida, sem comprometer o meio ambiente e o futuro das gerações que virão”, resume Eduardo Kantz, líder do Comitê de Sustentabilidade da AmCham Rio e diretor de Sustentabilidade e Jurídico da Prumo Logística.

Ele lembra a última conferência sobre o tema, realizada pela entidade em dezembro, quando foram abordadas novas tecnologias, smart cities, economia circular, mobilidade urbana, entre outros assuntos, e da 14ª edição do Prêmio Brasil Ambiental, que reconheceu as organizações com melhores práticas em sustentabilidade.

No caso específico das organizações, os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) – metas estabelecidas pela Organização das Nações Unidas (ONU) para a erradicação da pobreza, a promoção do bem-estar e a proteção do meio ambiente – trouxeram novos parâmetros e passaram a fazer parte da tomada de decisão das organizações, como os custos e os riscos hídricos envolvidos no negócio, a precificação de carbono no processo de avaliação de um empreendimento ou, ainda, a adoção de um modelo de gestão que valorize a diversidade e a igualdade de gênero, raça e faixa etária.

No âmbito governamental, o desenvolvimento sustentável do estado depende de políticas eficientes, voltadas para a resolução de medidas emergenciais, como a redução dos níveis de pobreza, a oferta de educação de qualidade, o saneamento básico e a urbanização inteligente. Tais medidas trariam inúmeros benefícios, entre eles uma política habitacional correta e a consequente diminuição das moradias de risco, o descarte irregular do lixo e esgoto, e o aumento do coeficiente de saúde.

“Estamos num período de transição, no qual os governantes precisam saber administrar com olhar atento. Não basta mais considerar apenas o orçamento de segmentos essenciais como educação, saúde e segurança. É preciso encarar os desafios que são críticos e impactam diretamente esses pilares da sociedade, ter uma visão sistêmica dos serviços e integrá-los com foco nos ODS para mudar paradigmas”, avalia Marina Grossi, presidente do Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS).

Jornalista com foco em Sustentabilidade, André Trigueiro diz que pensar em longo prazo é importante, mas é preciso agir em medidas de curtíssimo prazo, sobretudo nas áreas onde a população é menos assistida. “Os governos precisam gerar emprego e renda com atividades econômicas pontuais. Promover a capacitação utilizando gêneros de trabalho que demandem mão de obra e façam parte do universo da vida dessas pessoas”, diz ele, citando como exemplo os projetos na área da reciclagem e de beneficiamento de materiais descartados no lixo, os quais têm valor no mercado por serem reaproveitados.

Segundo Trigueiro, o Rio de Janeiro tem vocação para a sustentabilidade, mas precisa contar com governantes comprometidos e cientes de que a cidade está pronta para exercer de fato e de direito a condição de protagonista em gestão sustentável. “A natureza é exuberante, é inspiradora, mas precisamos ser ícones por mérito, não apenas por dádiva”, comenta.



Uma cidade com inúmeras qualidades e possibilidades

O Rio de Janeiro possui um potencial cultural muito grande, uma história fantástica, e estes fatores, aliados ao clima, à paisagem, ao povo e à criatividade dos cariocas favorecem a atração do turismo, uma de suas vocações mais fortes.

Todo esse ativo ambiental e cultural poderia trazer retorno econômico se os principais dilemas de sustentabilidade da cidade – ausência do saneamento e a desigualdade explícita das favelas integradas à geografia da cidade – fossem sanados.
A força da economia criativa e um polo intelectual e tecnológico com a maior concentração de universidades, centros de pesquisas, doutores e PHDs podem tornar o Rio de Janeiro um expoente nos campos da inovação, ciência e tecnologia.

Em âmbito nacional, é possível atuar em todas as frentes. A elevada participação das energias renováveis na matriz energética pode dar ao País uma posição de destaque na atual economia de baixo carbono. Segundo a Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar), a capacidade instalada em energia solar no Brasil deve fechar o ano perto de 2,5 gigawatts, um salto de cerca de 115% ante a marca de 1,15 gigawatt no final de 2017. Este impulso representa apenas 0,8% na capacidade dessa fonte no País, que deve expandir com a maior participação de um mercado voltado para a construção de grandes parques fotovoltaicos e utilização dessa tecnologia em construções.

As florestas, incluindo a Amazônica, são uma oportunidade ímpar de criação de um ecossistema de negócios que invista em conservação florestal e uso econômico e responsável, bem como de venda de créditos de carbono – que beneficia tanto as empresas que compram e neutralizam suas emissões, como apoia o proprietário e o incentiva a não derrubar árvores.



Resiliente, a baía pode ser case de sucesso

Porta de entrada para o descobrimento, a Baía de Guanabara foi muito importante para o desenvolvimento do Brasil. Mas com a poluição, suas águas limpas e navegáveis foram taxadas de inóspitas, sendo, inclusive, alvo de críticas na época das Olimpíadas do Rio de Janeiro, em 2016.
Esse acontecimento repercutiu mundialmente e reverberou em forma de inquietação no biólogo Ricardo Gomes. Ele decidiu filmar o fundo da baía para mostrar que, além de resiliente, ela ainda é o lar de rica biodiversidade.

“Antes de me formar, passei dois anos da minha vida sobrevivendo da pesca na Baía de Guanabara. Conhecia o local e sabia que poderia encontrar muita vida marinha, daí veio a ideia de filmar o Baía Urbana e mostrar uma beleza impressionante. Isso também foi registrado pela imprensa na mesma época, fato este positivo para a cidade”, diz o criador do documentário.

“Países como Sydney, Hong Kong e Estados Unidos – acostumados a explorar a beleza de suas baías como atração turística – movimentam a economia com milhares de pessoas que vêm atraídas pela topografia desses ambientes e pelas opções de lazer, esporte e turismo ecológico a eles oferecidas. O Rio de Janeiro, com sua singularidade estética, tem todas as condições de replicar tais conceitos e ser mais um case de sucesso”, destaca Lars Grael, premiado iatista brasileiro.
Há vinte anos, o Instituto Rumo Náutico, do velejador, fundou o projeto Grael para democratizar o esporte entre jovens de baixa renda. “Ensinar a nadar, remar, velejar é parte dos ensinamentos, mas a lição principal é promover a educação ambiental. Formar jovens multiplicadores com consciência de uso e preservação é o que podemos fazer para melhorar a situação da baía”, diz Grael, que oferece curso técnico profissionalizante a fim de capacitar para o mercado náutico e possibilitar um futuro mais digno aos assistidos pelo projeto.



Cidades inteligentes proporcionam qualidade de vida

A mobilidade sustentável foi um dos temas discutidos na 23ª Sessão da Conferência das Partes (COP 23), realizada em 2017 na Alemanha, e uma das ações mais relevantes para a solução da descarbonização do transporte.

No Rio de Janeiro, o transporte sobre trilhos contribui com uma mobilidade urbana mais sustentável. Dados de 2016 apontam que o VLT carioca, com apenas seis meses de operação e uma linha aberta, economizou 62 ton de CO2 por meio da compra de energia oriunda de fontes renováveis no mercado livre. Transportando 60 mil pessoas por dia útil, o VLT representa cerca de 40 mil carros a menos nas ruas, e uma redução de 4,8 ton/km de CO2 equivalente emitidas por dia.
A construção de cidades inteligentes – uma área responsável pela abertura de muitas frentes de negócio – é vista como uma das medidas mais eficazes para se alcançar sustentabilidade.

Responsável por cerca de 6% da capacidade instalada do Brasil, advinda majoritariamente de fontes limpas e renováveis, a Engie fortalece o seu portfólio no País com projetos sustentáveis, os quais incluem desde a geração e transmissão de energia e geração solar distribuída, até mobilidade, incluindo a engenharia de carros elétricos, segurança, eficiência energética e iluminação.

Em Niterói, município de meio milhão de habitantes no estado do Rio de Janeiro, a empresa implementou uma solução tecnológica inovadora no Centro de Controle de Operações (CCO) para melhorar o tráfego no município. Entre as tecnologias utilizadas, os Sistemas Inteligentes de Tráfego (SIT) permitiram o controle de semáforos nas áreas de maior trânsito na cidade, resultando na maior fluidez do trânsito, além da melhoria da qualidade de vida e do ar, com a redução de gases poluentes advindos dos engarrafamentos.

“O setor privado, como fonte de crescimento econômico, empregabilidade e inovação, é um parceiro fundamental dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. Podemos contribuir criando soluções sustentáveis, seja para a proteção do meio ambiente, o combate às mudanças climáticas, o acesso à energia ou para a geração de emprego”, diz Gil Maranhão, diretor de Estratégia, Comunicação e Responsabilidade Social Corporativa da Engie Brasil.

A sustentabilidade como parte do planejamento estratégico do desenvolvimento do Rio de Janeiro é uma realidade que vai beneficiar a sociedade em inúmeros aspectos, além de ampliar os horizontes de negócio de empresas e governos que enxergam além do econômico e optam por uma administração pautada nos princípios sociais, ambientais e éticos.
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