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Competência e liderança tem gênero?

05/02/2019 em Artigo
Artigo escrito por Tessa Major, diretora Comercial da Porto do Açu Operações
Acervo Porto do Açu
Há algum tempo tenho refletido sobre a relação entre o mercado de trabalho e gênero. Até onde isso importa? Até onde isto é relevante para uma contratação ou promoção, para mim e para as empresas onde já trabalhei? Nasci em Oostende, na Bélgica, e, desde a minha infância, pude conviver com exemplos de grandes mulheres.

Minha avó era proprietária de um açougue, comandava a casa e ainda cuidava de quatro crianças. Minha madrinha tem uma carreira bem-sucedida como Diretora de Recursos Humanos (RH) e minha mãe é engenheira industrial. Formada na década de 70, ela passou anos buscando uma colocação em sua área. Ouviu muitas negativas, em uma época em que as mulheres eram contratadas somente para cargos tradicionalmente considerados femininos. Aprendeu a ouvir o não, a ser resiliente, criativa e ter coragem. Assim, cresci em uma família que me encorajou a estudar, a trabalhar, a resistir e sempre acreditei que poderia escolher minha profissão, independente do meu gênero.

Durante minha carreira, observei e vivenciei experiências em vários níveis de preconceitos e, em geral, posso dizer que precisei ser mais perseverante do que meus colegas homens para transmitir meus conhecimentos, convencer as pessoas das minhas ideias e tomar meu lugar à mesa. Mas nada disso me desanimou. Quando estou na empresa, faço parte do time e, por acaso, sou mulher.

Muita coisa mudou entre a vida profissional da minha mãe e a minha. Me graduei em Biologia, fiz mestrado em Ciências Marinhas e me especializei em Desenvolvimento de Negócios, Gerenciamento Portuário e Negociação, sempre atuando na indústria marítima. Aprendi a ser resiliente, a defender minhas opiniões, a comemorar os sucessos, a aprender com os erros e a nunca me colocar em uma posição de vitimismo.

Há cerca de um ano, assumi uma posição de liderança na Porto do Açu, após um ano participando das negociações com o Porto de Antuérpia, ainda pelo lado belga. Cruzei o oceano com o objetivo de contribuir para o desenvolvimento de um negócio, agregando conhecimento e celebrando acordos comerciais em um novo ambiente desafiador e interessante.

Quando comparo novamente o mercado de trabalho dos últimos 50 anos, vejo uma importante mudança – e não somente na questão de gênero. Cada vez mais as empresas buscam pessoas que pensem diferente, que possam agregar conhecimento e ajudar a alcançar resultados.

A diversidade de ideias e a possibilidade de ter diferentes pontos de vista em uma única empresa, já são uma realidade em companhias de todos os setores, sendo consideradas, cada vez mais, como ativos da companhia. O gênero, a raça ou a orientação sexual, deixaram de ser vistos como tabus e são discutidos no dia a dia.

Hoje, é comum mulheres atuarem nos mais variados cargos. Na Porto do Açu, por exemplo, temos operadoras de guindastes, soldadoras, técnicas operacionais, engenheiras. Todas profissões que eram, até pouco tempo, consideradas masculinas.

Mas ainda há muito a progredir. Precisamos educar as crianças para que aprendam que o respeito deve permear todo e qualquer relacionamento. Que conviver com pessoas que pensam diferente, ou são diferentes, contribui para nosso crescimento. Que elas entendam, e diferenciem, atitudes sexistas e não amigáveis com mulheres, negros, homossexuais.

Como mulher e líder, entendo que tenho uma grande responsabilidade. É meu dever inspirar as mulheres, assim como todos os membros do meu time, a irem além e mostrar que podemos, e devemos, assumir o protagonismo da nossa vida profissional. Acredito na liderança pelo exemplo, sendo justa e avaliando toda a equipe por sua competência, empenho e qualidades, sem distinção por gênero ou qualquer outra característica que não seja estritamente profissional.

Meu papel é buscar, sempre, o melhor de cada profissional, contribuindo para seu crescimento, mesmo que isso signifique cobranças por resultados. É estar ao seu lado nas dificuldades e ajudar a encontrar o melhor caminho. É mostrar que seu crescimento é reflexo do seu trabalho e competências.

Afinal, competência e liderança não tem gênero, raça ou orientação sexual.

**Os artigos assinados são de total responsabilidade de seus autores, não representando necessariamente a opinião dos editores e da Câmara de Comércio Americana do Rio de Janeiro.
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